Viajando sozinho
Um dia, o arquiteto mineiro Argus Caruso pegou uma bicicleta e foi dar a volta ao mundo sozinho. Pedalou 35 mil quilômetros em 39 meses, entre 2001 e 2005. Partiu de Cordisburgo, Minas Gerais, terra de Guimarães Rosa e de seu avô, e passeou pela Ásia, Europa e América do Sul. De tanto ver um mundo bem diferente do dele, chegou a uma conclusão: “O contraste faz bem para a gente. Quando você viaja e vê comunidades completamente diferentes da sua, aprende mais sobre seus próprios valores”.
Claro que, quanto mais exótico o destino, maior o abismo cultural e maior a perda de referências. Mas não é preciso ir tão longe. Num vilarejo no sul da Bahia, por exemplo, você já sente o tempo passar mais devagar, um jeito diferente das pessoas, um sabor mais apimentado nas receitas. Mas não adianta olhar tudo como um turista. Para valer o efeito, é preciso entrar no clima, abrir espaço para o novo, lembra? E também para o improviso.
Está aí algo a que não estamos acostumados no cotidiano: dar oportunidade para o imprevisível. Normalmente, temos horário para acordar, para ir trabalhar, para almoçar, até para dormir. Tudo bem traçar um roteiro de viagem, mas nada de se prender a ele. Se você se programou para ficar uma semana numa cidade mas lá pelo terceiro dia alguém disse que 100 quilômetros adiante tem uma praia linda de morrer, por que não zarpar? Aproveite mais uma vez que não é preciso fazer conferência e esperar um consenso entre todos os integrantes da barca. Desfrute da liberdade de ir e vir, de se desprogramar. A todo tempo a viagem pode se reinventar. Até parece que a cada dia é uma nova viagem, pois você nunca sabe as histórias e as pessoas que vão cruzar seu caminho.
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