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domingo, 1 de maio de 2011

Você é única testemunha daquela história




Há momentos em que nos sentimos mesmo entregues a nós mesmos, sem ninguém para compartilhar uma emoção, um desabafo. Porém, vem junto uma sensação de cumplicidade com você mesmo,de que você é a única testemunha daquela história. Sem o amparo do outro, nos conectamos mais conosco. “Existe uma imersão nos próprios sentimentos, as vivências são muito mais claras.Você fica mais sensível e tem mais tempo para se dedicar aos acontecimentos”, diz o terapeuta de orientação antroposófica Corrado Bruno, de São Paulo. É bem verdade que, em certas horas, ter alguém ao lado só atrapalha um momento que poderia ser só seu.
Sozinho você tem menos distrações e pode prestar atenção naquilo que estáacontecendo a sua volta e dentro de você. Remete a uma reflexão existencial, a estar mais presente, centrado, pois você está tomando conta de si. “Seus instintos ficam mais apurados. Você fica mais sensível aos cheiros ou aos barulhos de algo que vem de longe, até por questão de defesa”, diz o arquiteto paulista Rick Cukierman, acostumado a pôr o pé na estrada sem precisar de acompanhante.
A terapeuta e artista plástica Paula Marques, de São Paulo, já viajou muito sozinha. A intenção sempre foi curtir uma ocasião apenas dela,um momento de silêncio em que pudesse parar para prestar atenção no corpo, perceber a respiração, aquietar a mente. Praticamente uma meditação.“As pessoas têm uma busca louca para fora, de estar sempre fazendo coisas, não perdendo tempo. Não olham para dentro. Isso faz você se distanciar de você mesmo”, diz.
Talvez seja esse o ponto nevrálgico do viajar sozinho: não ser ignorante de si. Saber que sua vida é esta, mas pode ser diferente. Como foi para Rosalda, protagonista do filme italiano Pão e Tulipas, que ficou para trás na excursão em que estava com o marido e os filhos. Decidiu, então, conhecer sozinha uma cidade com que sempre sonhou: Veneza. Ali descobriu uma nova possibilidade de vida e a concretizou. “É bom quando você consegue ir além do medo”, diz Paula Marques. Na Idade Média, no Japão, acreditava-se que as dificuldades de uma viagem eram desafios que se transformavam em poesia e canção.E, por que não,em filmes ou apenas em belas memórias. Se você quer encontrar sua própria história, escolha o destino e pegue a estrada. Agora de verdade.

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